quarta-feira, 20 de maio de 2015

Ingressos para o Inferno.


Um jovem casal recebe por correio um par de ingressos para usufruir de um parque de diversões que nem sabia que na cidade existia, no envelope em que estavam os ingressos não havia nada escrito, só era um envelope preto, e o endereço especificando até mesmo como chegar ao suposto parque, e por mais estranho que parecesse a jovem mulher disse ao marido que precisavam mesmo de se divertir e sair daquela rotina de casal. E até achou que os ingressos foram enviados de presente secretamente de suas amigas.
Já eram 18:00 horas, o céu já estava praticamente todo escuro, após se arrumarem, o casal entra no carro a caminho destinado ao parque com intenção de se divertirem, a moça até comenta que pretende comer muito algodão doce e pipoca, enquanto seu marido dá um leve sorriso e tenta ligar o carro que por ventura nem dava sinal, parecia que não era para ambos se deslocarem de casa naquela noite.

-É querida, parece que o carro morreu, não quer ligar.

-Que estranho, você usou ele hoje para trabalhar e nem deu problema!

Após algumas insistentes tentativas finalmente o carro liga, e os dois seguem rumo ao parque,seguindo um pequeno mapa que havia nos ingressos, enquanto dirigia, o rapaz por um momento de distração ao observar o estranho caminho que estavam percorrendo, quase atropela uma raposa cujo os olhos pareciam dois faróis avermelhados que aparecera no meio da estrada escura, de imediato o jovem faz um brusco desvio com o carro.
Em alguns segundos tudo parecia apenas um susto, o animal não foi atropelado, Ufa! respirava o casal aliviado, o trajeto após o fato parecia cada vez mais sombrio, ambos ficaram calados, não se via outros carros passando por ali, o mapa seguido parecia leva-los a um caminho montanhoso e sombrio.

-Moramos nesta cidade pequena a 5 anos desde que nos casamos e nunca havia vindo aqui antes, nem sabia que existia este lugar por aqui.
(disse o rapaz).

A jovem mulher permanecia calada, parecia hipnotizada pela paisagem que observava pela janela do carro, já dava pra ver uma enorme roda gigante,era o parque cada vez mais próximo, a sensação do casal de quando saíram de casa era diferente, independente do caminho estranho e sombrio, ambos não sentiam medo, na verdade pareciam não sentir mais nada, havia uma grande diferença de sentimento, pareciam tão concentrados em direção a roda gigante, que seus olhos já estavam vidrados e frios, pareciam mais olhos de uma vaca morta.
Finalmente o carro do casal chega a um parque,e a estranheza parecia só começar, ao estacionarem o carro antes de descer se via inúmeros outros carros,todos, sem exceção, todos, quebrados, vidros estilhaçados, alguns pareciam até que uma imensa pedra caíra em cima de tão danificados, aquele lugar parecia mais um cemitério de carros,
Havia também tanques de guerra totalmente enferrujados e danificados, veículos de todas as décadas, parecia não ter fim, foi quando arrumaram uma vaga no estacionamento que mais parecia exclusivo para o casal, o qual permaneciam frios e aparentemente hipnotizados,
Foi quando desceram do carro e finalmente chegaram em um imenso parque de diversões, pouco iluminado, e muito esfumaçado, seguiram rumo a bilheteria, aonde foram atendido por um estranho homem que estava de cabeça abaixada,não dava para ver o rosto,usava uma capa preta enorme e uma cartola de mágico, foi neste momento que casal entregava os ingressos ouvia uma risada perturbadora e fora do normal,
O homem da capa preta levantou o rosto, e o que se via era um rosto em decomposição, dentes afiados, e o mesmo olhar frio e vidrado, o casal não teve reação ao se deparar com a cena, o estranho receptivo da bilheteria apenas disse:

-Sejam bem vindos!

Foi quando os jovens se depararam com o carro deles completamente amassado,parecia que haviam sofrido um acidente fatal, e de fato tiveram suas mortes com ingressos enviados, na verdade quando desviaram do animal no meio da estrada o carro caiu em um precipício sem chances de sobrevivência, morreram e não perceberam, não se lembravam do acidente até a revelação do homem que os recebera seus ingressos,
Todos aqueles carros ali naquele estacionamento eram de outras almas que também receberam os mesmos ingressos do parque de diversões,
e assim que recebiam, morriam no caminho, mas chegavam ao destino do mapa que os guiavam, a manipulação da morte estava presente nas guerras, era ela que convidava soldados a darem um último suspiro,
assim como foi ela que fez isso com o jovem casal que só queriam sair da rotina, e chegava gente até a pé, não precisava estacionar, só precisava ter os ingressos do envelope preto em mãos,

E não era um mágico que apesar das vestes que os recebiam, mesmo porque a morte não é mágica, ela é real, portanto se receberem um ingresso para um parque de diversões num envelope preto com um mapa dentro, não se assuste, sinta-se aliviado, apenas não vá até o destino do parque, mesmo porque a morte não avisa quando chega, nem manda ingressos, ela chega de surpresa e é mais traiçoeira do que este conto!

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