quinta-feira, 31 de dezembro de 2015

Pedido De Ano Novo

Sabe, esse ano eu quero deixar para trás como se ele nunca tivesse existido, e que no novo ano eu possa finalmente apagar uma lembrança de algo terrível que passei há 11 meses.

Foi um acidente aéreo o qual uma das vítimas fatais era o meu noivo, uma semana após o nosso noivado diante de nossa família, estávamos planejando o casamento, mas...

Ele era da aeronáutica mas algo deu errado nos motores do jato aéreo caindo então no mar, nem mesmo seu corpo foi resgatado devido a tamanha profundeza em que afundou na queda.

Mas hoje quero fazer um ritual quando der meia noite,  nunca acreditei muito nessas coisas de simpatias de virada de ano, mas do jeito estou acho que vale tudo.

As horas passavam rápido e fui com parte da minha família e da do meu ex-noivo passar a virada de ano na praia e ver os fogos no céu, afinal não compensava permanecer de luto mas sim pedir o fim da dor.

Já faltava 5 minutos pra meia noite quando me afastei de todos e fui em direção ao mar sozinha, em um cantinho pouco iluminado onde não havia ninguém, precisava daquele momento sozinha para fazer um pedido.

Confesso que foi um pedido completamente impossível (mas não foi) nem sei o que aconteceu comigo naquela hora, era pra mim pedir outra coisa do tipo esquecer a dor e deixar a lembrança da morte dele no passado.

Mas foi contraditório, fechei bem os olhos, concentrei no que eu tanto queria e repetia em pensamentos "Eu quero o meu noivo de volta, eu quero o meu noivo de volta..."

Meus pensamentos foram interrompidos pela queima de fogos, já era meia noite, e abro os olhos no novo ano e a primeira coisa que vejo nos primeiros segundos de 2016 é o...

Meu noivo, com o uniforme que usara no dia de sua morte, ele vinha da direção do mar cortando as ondas, mas ele estava totalmente diferente, claro! Ele estava morto.

Mas não era um espírito, era o meu noivo vindo em minha direção, via o corpo dele desfigurado e...caindo aos pedaços! Quanto mais perto ele chegava de mim, mais seu corpo desmembrava, eu fiquei sem chão, não sentia a areia em baixo de meus pés descalços.

Não tive reação, ele chegou bem próximo da praia quase podendo me tocar, veio um cheiro horrível da direção dele de peixe podre, e me disse:

- Eu voltei amor, você pediu que eu voltasse e aqui estou, claro que um pouco mais feio e talvez fedido, não estou inteiro, mas o meu amor por você ainda está intacto, agora vou até ai pra poder te abraçar e te beijar...

Eu esfreguei os meus olhos com minhas mãos naquela hora para ter certeza de que não era um delírio ou um sonho (talvez um pesadelo) e pensei, como era possível? Ele está morto e não é um fantasma, seu corpo morto e podre ganhou vida.

Ele lentamente caminhava até a minha direção sobre as águas do mar quase chegando na areia, seu corpo continuava caindo aos poucos pelas águas do mar, naquela hora senti muito medo mas não conseguia me mover, parecia estar colada ali.

Então fechei novamente os olhos a pouco dele chegar até a praia e fiz outro pedido, "Leve-o de volta, Leve-o de volta"...

Abri lentamente os olhos temendo ver ele na minha frente mas não havia ninguém mais ali, via somente as ondas brancas com espumas banhando a praia, e logo acima um céu cheio de fogos coloridos.

Estava um pouco abalada mas criei forças para sair dali, voltei ao encontro da minha família ali na praia como se nada tivesse acontecido, o que eu vi na virada de ano novo ficará somente comigo, é um segredo que levarei por todos os anos que eu ainda viver, irei lembrar mesmo que a dor da perda vá embora um dia.














quinta-feira, 24 de dezembro de 2015

Papai Noel Não Existe...

Mas o Krampus ninguém disse que não existe!

Feliz Natal! Semana que vem no dia 31, conto de terror especial de ano novo (Inédito) e em Janeiro novos contos com uma novidade: Contos folclóricos Brasileiros!



terça-feira, 10 de novembro de 2015

O Navio dos Ossos

A família dos aventureiros irmãos George e Cindy tiraram duas semanas de férias em uma ilha em algum lugar do Caribe, havia um hotel e tudo que seus hospedes poderiam desfrutar, entre piscinas, boate, bar e muito mais...

Mas antes que pudessem ter o melhor dia de suas vidas George,Cindy, seus pais e qualquer outro que ali se hospedava eram avisados "Nunca,jamais, por hipótese alguma saiam aos redores do hotel, jamais atravessem a ilha, isso é tudo que podemos dizer"

George e Cindy se entreolham dando um sorriso maléfico, George tem 18 anos e Cindy 17 e desde que se conhecem por gente são apaixonados por aventuras de preferência quanto mais proibido melhor.

Naquela primeira madrugada os irmãos planejam escondidos explorar a ilha e descobrir porque os funcionários do hotel são ordenados a alertar que os hospedes nunca ultrapassem o limite do hotel e nem atravesse a ilha.

- Cindy arrume a sua mochila e ponha nela o que sempre precisamos para sobreviver numa ilha. Porque a minha já está pronta! (disse George sorrindo)

Mesmo sabendo de suas aventuras os pais dos jovens nem desconfiam e tiram a noite para beber a sós no bar do hotel.

O dia seguinte amanhece ensolarado com o céu cheio de aves sobrevoando e os irmãos saem feito ninjas do hotel com suas mochilas nas costas enquanto seus pais estão "mortos" de ressaca na cama.

Agora ninguém mais segura aqueles dois irmãos tão jovens com a bagagem cheia de aventuras, passam entre uma mata toda coberta, George corta galhos e cipós que vê pela frente, formando um caminho que nem eles sabem aonde chegar...

Uma cobra coral quase pica Cindy, mas foi por pouco! Após caminhar bastante os dois descansam próximo a uma rochosa montanha no meio da ilha, voltando logo a percorrer o caminho.

Já havia passado cerca de 5 horas de muita caminhada até chegarem do outro lado da Ilha, nesse momento o tempo muda, o céu estava ameaçando uma tempestade, trovejava bastante e ventava mais ainda, o mar estava agitado e as ondas pareciam querer expulsa-los dali.

De longe avistava diversos raios caindo no mar daquelas nuvens escuras, Cindy e George não sentem medo e agora andam sobre a areia segurando na mão um do outro pois ventava muito.

- George vamos continuar andando, tem que ter algo aqui que...espera! Olha ali tem um navio abandonado encalhado sobre a ilha (grita Cindy desafiando o som do mar).

George e Cindy avistam um navio entre o mar e a ilha, se aproximando os irmãos se depara com diversas ossadas espalhadas pela areia, havia crânios humanos, Vértebras...

Trovejava bastante e num instante começou a chover fraco entre restos de navios e ossada os irmãos passavam, aproximando-se do navio pouco intacto e encalhado, avistaram uma caveira parecia que estava até mumificada, havia carne podre entre o formato do esqueleto.

A "múmia" estava vestida de pirata e enforcada sobre uma grossa corda e pendurada do lado de fora do navio, ventava bastante e o corpo do pirata balançava conforme o forte vento tempestuoso o tocava.

O cenário era marcante para qualquer pessoa deste século, ao mesmo tempo era muito sombrio, os irmãos tiravam fotos de seus celulares de cada detalhe, do navio, do pirata enforcado no navio e tudo mais ali que pudessem explorar, estavam encantados e sorriam da nova descoberta.

Quanto mais andavam, mais ossos via na areia, George tem a ideia de se aproximarem do navio para filmar tudo de perto, e assim fizeram...

-Ei Cindy olha, tem um buraco aqui no navio, que tal se a gente entrar pra ver como é por dentro?

Sem pensar duas vezes George passa primeiro por um buraco feito pelo tempo na madeira de baixo daquele navio e em seguida Cindy, encontram uma escada faltando alguns degraus, os trovões parecem furiosos, o agitado mar balança o velho navio.

Os irmãos com custo conseguem entrar no navio após subir aquela podre e escorregadia escada, no porão do navio havia um depósito de caveiras, e nada passa despercebido pelas câmeras dos celulares dos dois.

George ajuda Cindy a subir primeiro agora na parte principal do navio, curiosos vão até aonde se encontra o pirata enforcado, Cindy ao tentar fotografar o mesmo acaba deixando seu celular caindo na areia.

- Que lugar impressionante, mais fotos pra nossa coleção de aventura, mas vamos descer preciso pegar o meu celular. (dizia Cindy)

Ao chegar próximo da passagem de volta pra terra firme o navio começa a balançar mais forte devido as ondas do mar, nesse mesmo instante os irmãos escutam passos fortes parecidos com madeira batendo no assoalho.

Ao virar de costas os irmãos Vêem o pirata que estava enforcado, era uma caveira com sua carne podre parada ali em pé com a corda em seu pescoço, sem olhos sem face devido a decomposição mas ali viva pronta para qualquer reação.

Os irmãos descem para o porão do navio correndo, e lá, toda a ossada que estava também ganha vida assim como os que também estavam na parte da areia da ilha.

Os irmãos não conseguem sair dali e o navio segue rumo para o agitado mar, conseguindo navegar sem naufragar, uma forte neblina cobre todo o mar e por ali o navio vai sumindo.

O caso dos irmãos nunca foi solucionado,equipes de resgate procuraram por toda a ilha e chegaram aonde havia antes ossada, lá encontraram o celular de Cindy e nas fotos que ela tirava de tudo ali saiu apenas fotos em branco sem imagem alguma.

Nunca mais ouviu-se falar dos irmãos aventureiros, porém uma semana após o acontecido o celular de Cindy toca sem aparecer registro de número, a mãe da menina atende aflita.

"-Alô, filha? Fala comigo!"

"-Mamãe, mamãe eu te amo, e nós...nãao por favor não faça isso" (Tu...tu...tu...)

Após isso nunca mais o celular de Cindy voltou a funcionar.

Fim.












terça-feira, 3 de novembro de 2015

O Laboratório

Tudo que eu queria era ter uma vida muito bem sucedida, em 2005 eu Rafael era modelo, era jovem, tinha o corpo que causava inveja, desfilava, viajava a trabalho, fazia ensaios fotográficos tinha dentes e um sorriso perfeito, e olhos verdes, eu era simplesmente lindo,sim era... mas era ainda mais do que isso bastante ambicioso e queria muito mais.

Numa certa noite eu chegando no meu apartamento aonde morava sozinho encontro um convite deixado por baixo da porta, se tratava de um convite pra participar de um Reality Show,havia um endereço de uma agência a qual eu deveria comparecer no dia seguinte.

Pra mim o endereço e a agência eram desconhecidos,chegando lá tudo parecia normal, havia outras pessoas que assim como eu recebeu também o convite, homens e mulheres jovens belos, todos iriam participar.

Fomos todos encaminhados a uma sala e lá passadas todas as informações, se tratava de um Reality Show com um prêmio para quem chegasse na final,contudo o suposto Reality seria também um teste, uma pesquisa e estudo do comportamento humano, tudo transmitido por câmeras na internet em tempo real, 24 horas.

Não pensamos duas vezes, podia ser aquilo uma oportunidade de voar mais alto em minha carreira e se conseguisse chegar na final iria ganhar muito dinheiro pensava eu.

Ficamos alguns dias presos em um hotel até sermos encaminhados a casa de confinamento, era uma casa imensa, uma mansão no meio do nada, havia ao redor da casa apenas uma floresta e nada mais, antes de entrar um homem nos diz que na casa teremos de tudo, que apesar de ser um meio de pesquisa cientifica do comportamento humano, o Reality seria cheio de surpresas e venceria quem ficasse na final,porém não foi revelado o valor do prêmio.

Entramos em fila indiana 3 caras e 3 garotas, escolhemos nossas camas, havia dois quartos e três camas em cada um, as garotas obvio em seus quartos...

No primeiro dia tudo era normal, nos conhecemos, passamos a tarde na piscina, mas a noite coisas estranhas começaram a acontecer, as 3:00 da madrugada acordamos com uma das garotas gritando desesperada, corremos até o quarto ela estava muito aflita e descontrolada disse que sentiu  alguém puxando lhe os pés, as outras garotas negaram ter feito qualquer brincadeira.

No café da manhã sentamos na mesa da cozinha e alguém já havia preparado o café, estávamos todos em silêncio comendo e bebendo, até que Jack começa a passar mal caindo da cadeira tendo uma convulsão ao chão, gritamos por socorro mas o estranho é que nenhum dos responsáveis do Reality apareceu.

Tentamos correr até o jardim da casa mas o pior de tudo era todas as portas e janelas da casa trancadas, se quer conseguimos arrombar alguma porta.

Nosso colega Jack já estava ali morto no chão, foi quando sentimos que entramos em uma verdadeira cilada, seria algum tipo de "Jogos Mortais"?

Passado alguns minutos lembro de desacordar, quando recuperei os sentidos estava eu amarrado em uma cadeira parecida com aquelas de um dentista, eu e os meus outros colegas, num lugar parecido com um laboratório que tinha um cheiro muito forte de alcool. E também, acredite, havia pedaços de membros humano dentro de vidros...

No laboratório havia também aquários com animais parecidos com monstros, haviam misturado e modificados espécies ali,Na frente de nossas cadeiras havia uma mesa metálica e lá deitada e amarrada dos pés a cabeça a garota que disse ter sentido puxar seus pés na madrugada, sua boca também estava colada com fitas...

O laboratório que ali estávamos era bem do estilo morte em cadeira elétrica e mal iluminado, de repente a porta abre lentamente e o que entra não é um era ser humano, mas também não era um animal, muito menos alguém fantasiado...

Era um ser vestido de branco calçando botinas pretas, algo meio humano meio monstro, bastante alto e magro, seu rosto era todo remendado como se fosse feito a costura,e coberto com máscara de médico,e em suas mãos segurava um imenso machado.

Seus olhos havia uma cor fraca e pele bastante pálida, ele se aproximou da mesa metálica e num golpe certeiro corta a cabeça da garota que voa parando em meu colo, eu vivia naquele momento um filme de terror, a cabeça da guria caiu em meu colo com os olhos abertos olhando para mim, gritei muito, mas estava amarrado não conseguia tirar a cabeça da menina de cima de mim.

Foi quando aquele ser alto fora do comum veio lentamente em minha direção e a menina que estava do meu lado implorando para que a deixasse sair dali, então aquele assassino com sua roupa branca coberta com o vermelho de sangue bruscamente ou melhor em um piscar de olhos estava ali perto de mim diante da garota apavorada, sim esse tal ser tinha uma agilidade difícil de acreditar, mas em um segundo ele conseguiu em um único passo com aquelas longas pernas sair da distância que estava até a garota.

De perto percebi que ele possuía garras ao invés de unhas, seus braços eram longos e finos, em uma de suas afiadas garras havia uma agulha ele aproximou o rosto do rosto da garota que estava em choque e injetou algo através daquela agulha em seu pescoço, a garota começou a espumar pela boca até que...morreu!

Após esse ato o assassino olha bem pra mim, "puxa, é a minha vez, agora é o meu fim" pensava eu tentando me controlar, seu olhar gélido cai sobre a cabeça da menina que ele matou primeiro caída sobre meu colo e num gesto frio a joga pra um outro canto do laboratório.

Ninguém sabia mais o que poderia acontecer, naquele dia mais nada aconteceu, aquele ser horroroso simplesmente sai pela porta e nos deixa ali amarrados naquelas poltronas.

O tempo passava e eu sentado e amarrado ali comecei a imaginar como um prisioneiro de um outro país se sente quando está na fila na beira de uma execução para pagar pelos seus crimes, injusto porque não era o meu caso, eu só queria ser muito mais, ser um modelo mais reconhecido e ganhar mais dinheiro, mas ali naquele laboratório mal iluminado fedendo a sangue e ao começo de decomposição dos corpos de nossos colegas mortos, via meu sonho apodrecendo junto com aqueles corpos.

Talvez de cansaço consegui dormir um pouco enquanto mais nada acontecia, lembro-me de acordar com os berros do outro rapaz que tentava se desamarrar, eu e unica garota sobrevivente imploramos para que ele se acalmasse, mas nada adiantava, o cara estava descontrolado demais para nos ouvir.

Novamente a porta abre lentamente e aquele ser grande, magro e vestido de branco com manchas de sangue entra novamente, sempre com uma máscara de médico cobrindo-lhe parte do rosto, desta vez com uma lata parecida com de tinta na mão, mas não, não era tinta, com luvas em uma mão e abrindo a lata com as garras de outra o assassino joga algo no nosso colega, que grita cada vez mais, a medida que o produto era jogado nele seu rosto começava a derreter, e sua roupa meio que a queimar até sobrar dele apenas uma caveira com poucos pedaços de carne queimada por ácido.

O cheiro estava insuportável, eu e a outra garota viramos a cabeça pro chão e começamos a vomitar sem parar,a garota estava mais perto ainda do cara, consegui conter meu vômito mas ela não, ela começou a vomitar sangue, era o cheiro forte do ácido que ela respirou sem máscara e perto de mais que a fez mal.

Vomitou tanto sangue que acabou morrendo, eu tentei me controlar, não gritar nem reagir pois percebi que quem reagia era de imediato executado feito um animal no abatedouro sem dó, lembro de me sentir fraco naquela hora e minha visão se embaçar, via o assassino de pé parado a alguns metros do laboratório olhando para mim.

Aquele lugar estava um verdadeiro cenário de horror, sangue pelo chão e paredes daquele laboratório sem janela sem nada com apenas uma porta de aço, havia ratos gigantes de olhos vermelhos presos em gaiolas, um cheiro insuportável de produto misturado com cheiro de carne podre, e todos ali mortos, em decomposição, ou sem cabeça, o que vai acontecer comigo agora?

O assassino em um único passo chega perto de mim, eu já estava preparado para morrer naquele momento,concentrei nas batidas do meu coração pois sabia que seriam os últimos, e senti aquela coisa horrorosa de outro mundo me aplicando algo no meu braço, comecei a ficar cada vez mais fraco até não enxergar mais nada, fechei os olhos apenas.

Lembro agora de acordar em um outro lugar, estava eu deitado em uma mesa de cirurgia e amarrado da cabeça aos pés novamente, eu estava nu, sentia aquela mesa de aço gelada, vi uma mesa do meu lado cheia de ferramentas as quais jamais seriam utilizadas na medicina, havia alicates, e outras ferramentas horrorosas, e logo acima da minha mesa em direção ao meu abdômen tinha uma cerra redonda daquelas que usa em marcenarias.

De repete aquele ser aparece novamente e liga uma forte luz sobre o meu rosto, viro o rosto pro lado e vejo barras de ferro como apoio de ganchos pontudos por todos os lados, Meu Deus a minha morte será a pior, pensava eu que novamente desacordo.

Não lembro de mais nada, nem sei o que aconteceu, eu acordei agora na sala da casa do tal Reality Show, a casa estava vazia eu estava vestido com uma roupa de cirurgia, sentia algo diferente em mim que algo tivesse mudado mas não sentia exatamente dor.

Levantei do chão e me deparei com um espelho do meu tamanho na cozinha, fui aproximando bem devagar e lá havia uma mensagem escrita com batons das garotas que foram mortas.

"Rafael, parabéns você foi o último e teve a chance de sobreviver pois apenas queríamos estudar o comportamento humano e você foi o único que se controlou, por favor não se olhe no espelho, pois aquele senhor vestido de branco do laboratório foi vítima de erros cirúrgicos na tentativa de beleza, você nunca mais vai ouvir falar de nós."

A mensagem ocupava todo o espelho quando terminei de ler fui me olhando de baixo pra cima do espelho, e o que eu vi não era a mim e sim a imagem de um monstro, meus olhos verdes perderam a cor, meus dentes arrancados, meu rosto mudado geneticamente.

Após sair daquela casa salvo, a policia cercou e invadiu o local com helicóptero e tudo, não acharam pistas daquele psicopata, apenas um lugar abandonado e restos mortais, o laboratório daquela tortura toda ficava no porão da casa,a agência que nos enganou também estava abandonada, eu que já nem lembro mais do meu rosto de quando eu era um belo modelo, jamais iria lembrar do rosto das pessoas que nos fez parar lá.

(Atualmente Rafael vive em observação e tomando remédios, fez diversas cirurgias reparadoras no rosto mas nada que fizesse ser quem ele era antes, e costuma ter pesadelos com o assassino de branco, que nunca foi visto antes até então relatado apenas por ele sobrevivente do laboratório).

Fim.















quarta-feira, 28 de outubro de 2015

Do Lado de Fora.

É dia 31 de Outubro, e a noite esta caindo, acabo de chegar da faculdade, meus pais viajaram e eu vou mesmo é fazer rápido lanche, fiz um leve sanduíche e fui comendo em direção ao telefone, havia 3 mensagens na secretaria.

Uma era de Marry me convidando para a festa de Halloween que aconteceria nessa noite no colégio dela, Marry é uma garota legal, bonita e ficamos algumas vezes, Havia mais duas mensagens ambas de Jack amigo meu de datas, me convidando para a mesma festa, na terceira mensagem dizia que ficaria com Marry, sem saber que a mesma queria era a mim.

Respondi as mensagens pelo facebook inventando algo do tipo ah, não posso ir estou atolado de trabalhos da faculdade para fazer, sabia que isso não seria uma boa ideia, se eu fosse poderia causar alguma inimizade com Jack por conta de seu interesse por Marry, mas ao mesmo tempo não estava me sentindo bem sozinho em casa, o silêncio da noite chegava com rajadas de ventos.

Altas horas da noite chega, e eu estou aqui no Google pesquisando coisas sobre o dia das bruxas, por curiosidade e tédio mesmo, havia lido coisas sobre um véu uma espécie de cortina que separava o mundo material do espiritual que no dia 31 de Outubro ficava mais fino, com isso facilitando a entrada de espíritos e demônios até o nosso mundo.

É uma noite quente, a janela do meu quarto está aberta, as cortinas brancas movimentavam conforme o vento entra, notei que estava a horas em frente ao computador, me levanto para ir até a cozinha beber água, pela janela vejo alguém do lado de fora aqui no jardim de casa, os muros são baixos aqui, mas se fosse um ladrão qualquer não iria facilitar tanto feito essa pessoa que eu vejo lá fora que está meio escuro, não consigo ver muitos detalhes, mas é uma pessoa muito alta.

Pelo porte é um homem, sua veste é negra consigo ver um casaco escuro que vai até as pernas, mas não consigo ver seu rosto pois está meio escuro, não sei o que devo fazer, minha janela tem grades de segurança e em frente tem a varanda que é aberta.

O homem está bem no rumo da minha janela, parado intacto feito uma árvore, de frente para a minha janela ali sem reação a poucos metros de mim, mesmo estando ele do lado de fora, foi inevitável não entrar em pânico agora.

Se eu fechar a janela ele pode vir em minha direção, poderia estar armado, tudo que faço agora é correr direto pra sala, pego o telefone e tento agora ligar pra polícia, mas é tarde! O telefone não funciona, ele deve ter cortado a linha do lado de fora.

O que eu posso fazer agora é voltar para o meu quarto, afinal eu ainda tenho internet e posso pedir ajuda com alguém, o medo me domina, quando eu voltar pro quarto posso ter uma surpresa desagradável do bandido estar escorado em minha janela apenas me esperando.

Que falta faz meu celular agora se não tivesse no concerto após cair na privada! Entre um passo e outro vou acendendo as luzes da minha casa, é melhor ir engatinhando pro quarto feito um bebê, seguindo essa forma de me proteger chego na porta do meu quarto semiaberta vou abrindo lentamente até entrar.

Ufa! Não há ninguém na minha janela, vou lentamente até o meu computador, mas é em vão pois o infeliz deve ter cortado também a minha internet. Levanto do chão agora bem devagar, e olho em direção lá fora, mas espera...o homem não está mais lá, não consigo mais vê-lo.

Pego então a minha lanterna na gaveta do guarda-roupa e me aproximo bem devagar, beeem devagar até a janela, o silêncio do momento começa a me apavorar, então mais perto da janela começo a iluminar em direção a qual o homem estava parado, mas não vejo mais ninguém, passo a luz da lanterna em meio a plantas e sobre alguns lençóis no varal que me esqueci de retirar.

Droga! Estou com muito medo, e ainda sozinho em casa, pensei em fechar a janela mas quando aproximo a minha mão para fazer isso vejo um vulto vindo de cima para baixo no jardim, de repente vejo novamente aquele homem todo de preto com um casaco remendado, ele parecia ter pulado de cima de alguma coisa, mas no medo nem o impacto do chão consegui ouvir.

Comecei a clarear com a lanterna, mas estou muito tremulo acho que irei passar mal de tanto medo! Mas não consigo fazer mais nada além de ficar observando ele, acho que vou gritar...

- O que você quer de mim? Porque não entra logo e leva tudo e me deixa em paz? Porque não faz como os outros ladrões? Você quer brincar comigo? Me deixar em Pânico? Pois não vai conseguir!!!!

Na verdade ele já conseguiu, pensei! Foi inevitável não gritar, mas nada adiantou, ele se quer respondeu as minhas perguntas aliás ele nem se movimenta continua lá parado.

Se ele ficar lá apenas parado sem nada fazer ainda está bom, porém não posso me sentir seguro se meu mais novo inimigo não estiver sob meu olhar o tempo inteiro, mas se ele não faz nada poderia ser o Jack ou algum outro amigo meu fazendo uma brincadeira de mau gosto?

Claro que não vou correr o risco de ir lá fora né? Continuo avistando ele lá parado em direção da minha janela, pisco os olhos e o homem de preto não está mais ali, juro como poderia isso acontecer? Ele desapareceu da minha vista em questão de um segundo.

Agora só vejo as plantas e árvores balançando seus galhos com o vento, mas espera!!! Eu tranquei a porta da sala quando cheguei em casa?? Não me lembro de ter feito isso, e agora? Tranco a porta do meu quarto ou corro pra sala e confiro? 

Meu cachorro começa a latir finalmente, a noite ele dorme bem na frente da porta da sala, vou correr pra sala, estou próximo da porta, meu cachorro começa a gritar como se tivesse sentindo dor, o homem quer entrar agora, a porta está destrancada meu Deus não há tempo a maçaneta da porta está começando a girar e ele vai entrar, mas consigo enfim encostar na chave que estava pendurada já no chaveiro da porta e antes que aquela maçaneta completasse o giro eu consigo trancar!

Deito agora no chão retomando a minha respiração, aqui ele não entra! Pego agora uma faca na cozinha, mas também não volto pro meu quarto, vou passar o resto da noite no quarto dos meus pais, afinal lá a janela está fechada!

Vou com a minha faca e passar no banheiro antes, acendo a luz, mas esperai...o que significa isso no espelho? Com letras feitas por alguma espécie de unha fina e aparentemente afiadíssima no espelho está escrito a seguinte mensagem "Demônios não precisam de usar a porta para entrar pro lado de dentro" após ler isso o homem de preto que estava do lado de fora aparece no reflexo do espelho e bem atrás de mim.


Fim.









terça-feira, 20 de outubro de 2015

Flores do Além.

Julie e Bob se casaram muito jovens, Ela cuidava dele com toda a paciência do mundo, Bob era cheio de alergias, uma delas era por abelhas, se levasse alguma ferroada parava no hospital em estado grave.

Mas Bob era romântico apesar das alergias nunca deixou de mandar flores para Julie desde o primeiro dia de casamento, ao menos uma vez por semana ele fazia isso, sempre na segunda-feira, data em que se casaram.

Julie por vez colocava as flores sempre em um vaso na varanda próximo a lavadoura de roupas, aonde Bob quase não ia, que devido a tantas alergias mandava o entregador enviar as flores em casa sempre que estava em seu serviço e Julie em casa para recebe-las.

Certa tarde de domingo o casal vai até a um parque aproveitar a folga, andando próximo ao lago e entre o bosque, debaixo de uma árvore estendem uma toalha sobre a grama e Bob deita sua cabeça nas pernas de Julie que lê alguns trechos de poesia ao amado. Um trecho de Vínicius de Moraes dizia "Quem pagará o enterro e as flores se eu me morrer de amores?"

Era uma tarde muito quente, e misturado a muitas árvores frutíferas, surge um enxame de abelhas voando por todos os lados e bem próximo ao solo, atacando assim o casal que sai correndo tentando escapar do ataque.

Porém o ataque é fatal e Bob acaba morrendo no local devido a tantas picadas, Julie para num hospital semi desacordada e é avisada do falecimento de seu amado, hospitalizada e sem condições nem pôde se despedir.

Passado alguns dias Julie tem alta e volta pra casa, aonde sente aquele vazio e um choque de realidade lhe domina, era justamente em um domingo.

A campainha toca, Julie vai até a porta mas não vê ninguém, apenas vê um buquê de flores em sua porta, confusa Julie pega as flores aonde tem um cartão, no cartão diz: 

"Amor, mesmo eu tendo partido não quero que deixe de me lembrar, antes eu lhe mandava flores todas as segunda-feiras para que lembrasse do dia do nosso casamento, hoje mando aos domingos para lembrar do dia em que parti, te mandarei flores todos os domingos a partir de agora, e não tente saber como estou fazendo isso, apenas as receba, com muito amor

Bob."

Não era possível outra pessoa fazer isso pois Bob sempre mandava flores com uma assinatura especial com abreviaturas das inicias do casal, impossível de ser falsificada, e sempre ia lacrado, Julie sem entender recebeu as flores por 1 ano, até o dia em que sofreu um acidente de carro e morreu, neste dia Julie saiu cedo numa sexta-feira, e em sua porta havia recebido uma coroa de flores horas antes de morrer.


Fim.









quarta-feira, 14 de outubro de 2015

O Corredor da Morte.

"Não gosto do culto da morte, de um James Dean morto, de um John Wayne morto. Eu presto culto às pessoas que sobrevivem" Citou John Lennon, como eu me apaixonei por essa frase após minha experiência de morte...

Eu Jhony tinha 30 anos quando dirigia meu carro em alta velocidade por um perigoso túnel em São Paulo, lembro-me de perder o controle e começar a capotar, após isso minhas recordações são bem além do que meus olhos físicos podem enxergar.

Naquele momento não sabia de nada do que estava acontecendo comigo, conseguia ver as lâmpadas todas embaçadas como se vê gotas da chuva caindo rapidamente, parecia eu estar atravessando um longo corredor, deitado até não poder enxergar mais nada. Provavelmente as lâmpadas do corredor de um Hospital.

Por um instante me senti leve, não sentia minha respiração, não sentia meu coração batendo, foi quando eu comecei a me ver lá de cima, eu estava levitando diante de meu corpo numa maca de UTI, via e sentia a sensação daqueles médicos tentando me reanimar, lembro-me que após alguns instantes de pavor não consegui ver mais nada.

Finalmente meu coração voltou a bater, mas eu ainda não podia viver, não com meu corpo físico, passei 6 meses em coma, 6 meses suficientes para me fazer acreditar em coisas que em 30 anos não acreditava.

Comecei a vagar por um corredor, via cenas da realidade assim como junto a elas e ao mesmo tempo via cenas do além, certa noite de carnaval o hospital estava bastante movimentado, o tempo todo via médicos com macas correndo pelo corredor, entre outras pessoas desesperadas.

Nesta noite quando eu vagava, o corredor ficou extremamente vermelho diante de meus olhos é claro, boa parte da "realidade" perdeu razão pelo que chamamos de fantasia, sombras de seres corcundas, com garras afiadas começaram a andar pelo corredor agora avermelhado, havia talvez uns 3 desses seres, não sabia o que eram eles, eram sombras que passavam pelas paredes sem uma base, sem um corpo.

Na primeira vez que vi tais sombras senti medo, a minha primeira emoção a ser sentida após estar fora de meu corpo físico, mas as sombras nada me fizeram, era frequente aquilo acontecer no corredor, elas entravam em portas de alguns quartos ou salas de cirurgia e pareciam cortar uma espécie de corda invisível a olho físico, corda que ligava o corpo com a alma, quando as sombras apareciam eu ouvia muitos gritos e ranger de dentes. Até que desapareciam levando algumas pessoas.

Após 3 meses vagando por aquele corredor, encontrei com uma idosa toda vestida de branco, ela saiu do quarto, parou por um instante e ficou olhando pra mim com um leve sorriso e levando em suas mãos um pequeno buquê de rosas vermelha, até que num segundo desapareceu, fui até o quarto em que ela estava, e lá os aparelhos cardíacos que sinalizava seu coração demonstrando uma parada cardíaca, ao lado do aparelho, um armário com um vaso em cima e rosas vermelhas secas.

Comecei a ver coisas e também sentir coisas que não dá para explicar talvez com palavras, havia passado 6 meses e no dia que consegui voltar a abrir os olhos do corpo passei por uma decisão muito difícil.

O corredor ficou inteiramente vazio e silencioso as lâmpadas foram apagando uma a uma, até ficar somente 2 acesas no meio, comecei a escutar risadas de uma criança, era uma menina que aparecerá embaixo das lâmpadas acesas enquanto eu estava no escuro.

A menina usava um vestido branco, segurava uma boneca, tinha cabelos ondulados e loiros, olhos bastante azuis, porém não tinha pés, apenas levitava, e estava parada na minha frente olhando pra baixo.

Eu fui me aproximando, era uma linda menina, quando eu me aproximava ela começava a cantar uma bela música com uma voz extremamente suave, e eu me aproximava mais, eu sentia paz naquele momento.

Mas quando eu cheguei mais perto do que podia, a menina para de olhar pra baixo e fixa seus olhos em mim, ao fixar, começa a abrir um imenso sorriso e começa a gargalhar, suas gargalhadas começam a engrossar, até que a menina corre para a parte escura do corredor.

As luzes voltam a acender uma a uma, o corredor ainda está vazio, só havia eu ali, quando vi manchas de sangue em forma de pisadas ao chão, de um pequeno sapato, mas poderia ser aquelas pegadas daquela menina sem pés?

o corredor começou a girar diante de mim, eu não conseguia ver muita coisa, parecia ter uma sensação de estar tonto e ao mesmo tempo ouvir sussurros em meus ouvidos, junto a gritos, choros e gargalhadas, enfim o corredor de novo vazio.

Aparece agora uma menina vestida de preto, meio pálida, cabelos despenteados e não segurava uma boneca, essa por fim tinha pés, não estava entendendo mais nada, ela olhava pra mim me chamando pelo nome e pedindo para segurar sua mão.

Aquelas sombras corcundas e de garras voltaram a aparecer naquele instante, mas desta vez pararam sobre a porta do meu quarto, pareciam estar me esperando, a menina dizia:

- Venha Jhony, não tenha medo, confie em mim.

Se fosse a menina vestida de branco e loira talvez eu seguraria em sua mão e confiava, mas a menina vestida de preto me passava medo e insegurança, porque roupa preta? Porque tanta palidez? Porque não cantava?

Eu por fim ficava parado, as sombras começaram a tentar entrar em meu quarto e a menina me dizia que eu teria que confiar nela antes que "eles" entrassem para cortar a minha corda espiritual.

Não pensei duas vezes, não sabia o que iria me acontecer ou para onde eu ia parar, apenas arrisquei, segurei na mão daquela menina e fechei os olhos, quando fechos os olhos revivi todo o momento em que meu carro capotou, me vi flutuando sobre o túnel e no fim dele havia uma luz branca.

Mas algo começou a me puxar pelos pés, me afastando daquela luz, era uma espécie de corda me puxando rapidamente para o meu corpo, quando dei por mim acordei assutado com médicos tentando me reanimar novamente.

Foi quando acordei do meu coma, hoje estou com 40 anos,faz 10 anos que tudo isso aconteceu, e até hoje não sei explicar, mas creio que se eu tivesse acreditado mais naquela menina que vestia de branco, que tinha cabelos loiros e olhos azuis do que na menina de preto de pouca beleza talvez eu não estaria aqui para contar história, não sei...mas quando eu voltar para o vale da morte, sei que posso encontrar as duas novamente.

Fim.












quinta-feira, 8 de outubro de 2015

O Último Que Sair Apaga a Luz.

Era noite de uma sexta-feira qualquer, estava eu dirigindo estrada afora,sozinho, indo embora de uma festa em outra cidade, ainda faltava muito para que eu pudesse chegar em casa e uma forte chuva começou a cair.

A intensidade da chuva só aumentava, e eu mal conseguia enxergar o que havia pela frente, além da estrada escura, mas de longe avistei algo que poderia ser um abrigo pelo menos até a chuva passar.

Eu fui me aproximando e era um posto de gasolina, estava desativado, totalmente deserto e com mato dominando, entrei com o meu carro e estacionei por ali, fazia um barulho infernal aquele encontro entre a chuva e o telhado de metal.

Deixei os faróis do carro ligado um pouco para observar melhor aquele local abandonado e meio assustador, entre um cigarro e outro me deu vontade de ir ao banheiro devido ao que bebi na festa.

Peguei uma lanterna no carro e achei um banheiro por ali, abri a porta entreaberta já e acendi a luz, "Puxa! No meio desse lugar abandonado ainda funcionava uma lâmpada no final do banheiro e havia energia", pensei!

O banheiro era grande, havia várias portas com privadas e suas portas todas abertas, a lâmpada no rumo da última cabine de privada funcionava ainda piscando, mas era o suficiente para poder enxergar o que havia por ali.

E o que havia naquele banheiro, era muita imundice, tanta que parecia ter passado alguém recentemente por ali, paredes pichadas com frases estranhas, vômito seco no chão,havia uma poça de algo avermelhado com preto e seco no chão parecendo sangue também já seco, mas pensei que poderia ser só tinta e um odor terrível e o mais sinistro: Era a frase bem na última porta a qual eu entraria.

Após usar o banheiro e virar de costas para abrir a porta,vi que na mesma pelo lado de dentro estava escrito com algo muito parecido com sangue "O Último que sair apaga a luz" confesso que mesmo parecendo macabro, achei bastante engraçado, comecei a rir sozinho e alto.

Que viagem! Hahahaha...era uma pena não ter um spray de tinta para pichar aquele banheiro também! Após a zueira fui até a pia lavar as mãos, mas ao abrir a torneira não saiu água mas sim uma pequena aranha de dentro, olhei meu reflexo no espelho manchado e meio quebrado e vi a porta da privada atrás de mim rumo ao espelho fechada.

Me virei para trás e vi do lado de baixo, dois pés ali dentro, parado, parecia alguém vestido de preto e calçado com uma bota preta, engoli um pouco de saliva e fui saindo do banheiro olhando pro rumo daquela porta, quando voltei ao posto não havia outro carro, afinal quem poderia estar ali, sem ser de passagem como eu, naquele lugar abandonado??

Não pensei duas vezes, entrei de imediato no carro e ao acelera-lo aparece um sujeito todo de preto em frente ao clarão dos faróis,em pânico não tinha visto aquele louco que poderia ser o mesmo que estava dentro do banheiro e sem querer o atropelei, foi um acidente eu pisei no acelerador sem antes te-lo visto.

Dei ré no carro no sentindo em que o cara estava caído no chão, parei o carro por um instante e vi o sujeito jorrando muito sangue, usava calça preta, a bota preta, uma blusa preta e luvas pretas, e também capuz, não dava para ver quem era, e pela quantidade de sangue que jorrava, eu havia...havia matado aquela pessoa.

Foi só um acidente, eu não tive culpa de nada, e ninguém nunca vai saber que fui eu, ou talvez nem ache tão cedo o corpo aqui nesse deserto, pensei comigo mesmo enquanto segui estrada adentro, ainda chovia e relampeava muito, mas ali eu não ficaria mas nem 1 minuto.

Chegando em casa pela manhã finalmente, lavei o que a chuva ainda não conseguiu apagar, algumas manchas de sangue, já de leve, o amasso que meu carro sofreu poderia esperar alguns dias por precaução, afinal sempre usei metrô para trabalhar mesmo! Após subir as escadas fui direto pro banheiro tomar banho.

Usando uma cueca e enxugando minha cabeça e os olhos, joguei a toalha na cama, a porta do meu quarto estava aberta, e eu lembro que deixei fechada, e eu moro sozinho, e estava muito bem fechada, achei estranho, desci as escadas conferi se tranquei as portas principais e subi novamente pro quarto, fui pro banheiro escovar os dentes, enquanto escovava olhando para o espelho notei algo de diferente na direção da porta, lentamente fui virando a cabeça ao rumo, e na porta estava escrito com sangue "Eu disse que o último que sair deveria apagar a luz".


Fim.









quarta-feira, 30 de setembro de 2015

O vento que balança o berço.

Enterrada viva, assim foi a morte de uma mulher em 1960, a nossa pequena cidade na época era apenas um vilarejo e eu com 23 anos atualmente, apenas ouço essa história que os mais antigos da nossa cidade sempre contou, desde que me conheço por gente.

O motivo é que por aqui,acontece coisas assustadoras que em outros lugares é conhecido apenas como uma lenda urbana, mas quem mora aqui sabe muito bem que não é lenda.

O que nossos antigos sempre nos contaram era que essa tal mulher que foi enterrada viva a mais de 50 anos atrás era uma bruxa, que além de praticar magia negra, mas o motivo de sua morte não foi exatamente por isso, ela era amante de um dos fazendeiros mais ricos desta região, certo dia a esposa do fazendeiro descobriu tudo, e que inclusive a suposta bruxa estava grávida de 7 meses.

Inconformada a esposa traída quis se vingar da amante, mesmo sabendo que a outra estava grávida mandou seus capangas invadirem sua cabana próximo a floresta aqui perto, a intensão da mulher era mandar queimar a outra numa fogueira bem no fim da floresta, mas a noite era chuvosa, mandou seus capangas cavar uma cova bem funda, amarrar sua vítima com uma barriga de 7 meses, e por fim observou a grávida sendo coberta com terra barrosa lentamente.

A mulher sendo enterrada rogou uma praga, gritava que voltaria e que quando isso acontecesse, por aquelas terras mulher alguma vingaria gravidez e se vingasse ela viria buscar, após praguejar um vento forte levou a chuva dali para outra região e sua funda cova por fim totalmente coberta com terra.

Desde então nunca mais ouviu-se falar do fazendeiro e sua esposa traída até hoje, mas um ano após o suposto fato, muitos moradores se mudaram daqui para construir uma família fora, exceto Morgana minha vizinha recém casada que não acreditava nessa história de desaparecimentos de bebês e mulheres com partos infelizes.

Morgana acreditava sim que seria feliz em sua primeira gestação, tudo ocorria muito bem, sua saúde e a do bebê estavam ótimas, muitos a aconselharam para que se mudasse daqui para não perder sua criança assim como muitas mulheres vítimas da mesma situação por anos.

Após o parto minha vizinha volta para casa numa manhã de sol claro com sua criança nos braços o marido ao lado e um sorriso enorme, o tempo foi passando, e eu vi que no alpendre da casa dela que tem grades abertas ao invés de muros havia um bercinho seguro que balançava.

Ela se sentia segura, estendendo roupas no varal enquanto o bebê dormia, eu conversava na porta de casa com alguns amigos e notei que o bercinho começou a balançar sozinho, não estava ventando, nem mesmo as roupas que Morgana estendia no varal balançava.

Mostrei aos meus amigos que também viram o berço balançar cada vez mais e mais forte sozinho, escutamos o choro da criança que para o nosso alívio nada aconteceu.

O tempo foi passando e Morgana percebendo que fenômenos sobrenaturais estava acontecendo em sua casa, o bebê dormia em seu quarto, dizia ela que durante a noite a criança chorava sem parar, e sempre que o colocava naquele espécie de berço que balança, o mesmo sempre se movimentava sozinho.

Resolveu ir embora por precaução, dizia que iria passar alguns anos na casa de sua sogra em outro estado, assim sendo, entrou num ônibus com o bebê e seu marido...

Porém sem sorte o pneu do ônibus fura antes mesmo de sair da cidade, tendo que esperar com outros passageiros em baixo de uma árvore na beira da estrada que dava saída para a rodovia.

Morgana sentou-se em um tronco de madeira sozinha em baixo da árvore enquanto os outros passageiros ajudavam na manutenção do pneu do veículo entre outros passageiros que aproveitaram para comprar água no posto de gasolina.

Num descuido de olhar um vento forte assopra poeira pura, Morgana que havia estendido uma toalha numa fofa vegetação para conforto de seu bebê o perde, não estava mais ali a criança, que sumiu de repente, em meio ao seu desespero disse que com o vento sentiu alguém a tocando, Morgana estava com a roupa rasgada e suas costas arranhada, que havia uma mensagem deixada a unha escrita "Em baixo desse tronco eu fui enterrada com o meu bebê, se quiser o seu de volta cave".

Aos prantos Morgana mande que cavem ali, sem saber que de fato a mulher da história dos antigos foi ali enterrada, o motorista e os passageiros homens cavam embaixo do tronco, lá havia ossadas de uma pessoa adulta com uma pequena caveira no ventre, havia em direção as mãos da caveira adulta um bebê morto, era o de Morgana.

Na nossa cidade mulher alguma se atreve a ter filhos, quando descobrem suas gravidez mudam-se para bem longe, Morgana é uma que nunca mais ouvimos falar também, há mais de 50 anos bebês sempre sumiram, e cada vez mais casas ficam abandonadas, as vezes até mesmo galinhas chocam ovos cada vez mais podres, vacas leiteiras começaram a produzir sangue no lugar aonde deveria sair leite, acho que este lugar está cada vez mais amaldiçoado.

Dizem que a tal bruxa está até fazendo aparições nas estradas, fazendas e hospitais daqui, no telejornal local toda semana vaza notícia de supostas fotos e vídeos de uma mulher vestida de branco, rosto pálido e distorcido e longos cabelos negros.