quinta-feira, 21 de maio de 2015

O amigo imaginário

"Você prometeu que jamais iria me abandonar, tudo que eu mais queria agora era você meu amigo, para poder conversar, veja só o meu estado moro nesse buraco nojento a anos, e todo o meu dinheiro vai...enfim amigo, eu só não suporto mais ficar sozinho nessa minha vida amargurada"...
Jhon não é muito sentimentalista muito menos tem o hábito de escrever, mas em uma noite, com o sangue cheio de álcool e um cigarro na mão decide pegar um pedaço de papel rasgado e escrever com a caneta de tinta falha o que vinha em mente, por volta dos seus 30 anos já não via mais graça na vida.
Lembrou na mesma noite de quando perdeu seus pais em um acidente de carro quando tinha 17 anos de idade, passou a ser criado pela avó com quem morou por 1 ano mas decidiu viver sozinho, sua vida transformou, Jhon passou a ver o mundo de outro jeito, não pensava mais em se casar e construir uma família, começou a usar drogas pesadas.
Assim que saiu da casa de sua avó hoje falecida, Jhon começou a trabalhar em uma loja e morar em um apartamento do sétimo andar cujo prédio tem como moradores prostitutas, rapazes usuários de drogas e casais problemáticos que vivem brigando.
Jhon atualmente trabalha em um restaurante onde lava pratos, gasta todo o seu dinheiro com drogas, bebidas e prostitutas, seu aluguel da espelunca em que mora está atrasado a 2 meses (de novo), o gordão barbudo como é chamado o dono do prédio já está quase o despejando, cansado de viver tudo isso lembrou de sua infância e de uma pessoa que mesmo após muitos anos sentiu falta...
Era Bob seu amigo aos 5 anos, apareceu do nada um certo dia em que Jhon teimou pela primeira vez com seus pais, Bob disse para manter em silêncio a sua existência caso quisesse ser amigo dele, apareceria para brincar com ele todos os dias e concordou com Jhon de ter teimado:

-Os adultos são muito chatos, não deixam nós crianças fazer nada, não zangue em ter levado bronca de sua mãe Jhon, continue teimando pra fazer raiva nela. (disse Bob).

Foi quando Jhon passou a ser manipulado pelo novo amiguinho, o qual surgia em seu quarto vindo do nada até pela madrugada rindo, fazendo trapalhadas e acordando o garoto, uma certa noite Bob queria muito brincar e surgiu perto da cama de Jhon que acabara de se deitar após estudar para a prova da escola que teria na manhã seguinte , Jhon cansado e bocejando pediu para que seu amigo fosse embora pois tinha que acordar cedo.
Bob, não disse nada, apenas ficou observando Jhon até que o mesmo pegasse no sono, e sumiu, assim que Jhon chegou da escola foi chamando bem baixinho por Bob, que ficou ausente durante o dia todo e alguns dias, a partir da noite seguinte o menino passou a ter pesadelos macabros todas as noites, sua mãe acordava com os gritos, o levou a algumas especialidades de médicos mas nada resolvia.
Numa manhã de domingo Jhon e seus pais decidem fazer um piquenique no belo gramado a beira da lagoa do bosque da cidade, estava um sol radiante, havia outras famílias curtindo o dia no mesmo local, Jhon parecia abatido e muito triste, sentia falta de seu amigo que ninguém mais conhecia, estava sumido há dias e prometeu que não contaria de sua existência para ninguém.
Tudo estava calmo, foi quando de repente Jhon escuta a voz de seu amigo Bob: -Ei Jhon, vem aqui, eu estou aqui, vem brincar comigo!

Mais que depressa o garoto avisa seus pais de que iria andar por perto, seu pai ordenou que não se aproximasse da lagoa pois era muito fundo, porém exatamente quando Jhon mais se aproximava da lagoa, mais a voz de Bob aumentava, incidentalmente os pais do menino se distraíram enquanto seu filho via Bob a margem do lago.

-Vem Jhon, vem brincar na água comigo amigo!

-Não posso Bob, papai disse que não é pra mim chegar perto da água pois é muito fundo.

-Poxa Jhon, você não é meu amigo, foi por isso que eu sumi, naquela noite você não quis brincar comigo, hoje você não quer...você nunca quer brincar comigo, eu vou sumir pra sempre de você.

Jhon já envergonhado com seu amiguinho por ter o domínio de seus pais, reflete, enquanto Bob diz que o pai do menino é mentiroso e que a lagoa é rasa e que poderiam se divertir muito na água, sob a vista de seu pai um pouco de longe, Jhon entra na água sem pensar duas vezes, enquanto vê Bob ainda na margem apenas observando e encorajando o garoto, até que quando o pai de Jhon corre rumo ao garoto já começando a se afogar.

Salvo pelo pai por pouco, Jhon, com dificuldade de respirar porém consciente vê Bob com um imenso sorriso no rosto, os pais questionam o garoto a contar porque teimou novamente mas sem resposta, o estranho foi no dia seguinte quando Jhon brincando em um dos 2 balanços amarrados em uma árvore do quintal, quando Bob surgiu para brincar com o menino no balanço ao lado, sua mãe pela janela da sala viu Jhon em um balanço e no outro não via ninguém... o balanço se movimentava sozinho.

Os anos foram passando e o segredo de Jhon sobre a existência de Bob nunca revelado a ninguém, apesar dos maus conselhos na infância, Jhon atualmente se lembra que não tinha outros amigos e que só Bob o entendia, e lamenta nunca mais o ter visto.

Jhon resolve tentar dormir, quando ouve um estranho ruido dentro de seu quarto, era Bob, aquela mesma criança com o mesmo jeito de menino levado, Jhon sorri (o que não fazia a anos)

-Venha Jhon, venha brincar comigo!

Completamente concentrado no que via, Jhon seguia seu antigo amigo de infância até a varanda com pouca segurança , Jhon com depressão, desgostoso com a vida, cansado das drogas e de comer prostitutas só pensava na inocência de quando tinha a idade que Bob ainda tem, tonto e com a vista embaçada Jhon segue seu amigo e se aproxima cada vez mais da pequena mureta de sua varanda do lado de fora, Jhon perde totalmente o equilíbrio e fica pendurado segurando a mureta com as duas mãos pelo lado de fora do sétimo andar de seu prédio,
Pede ajuda para Bob, mas só se escuta risadas e mais risadas, a força nos braços de Jhon acaba, ele aproveita para olhar o céu de sua última noite em vida, e assim se rende a cair do alto, antes de chegar ao chão fecha os olhos e sente ser engolido por uma treva infinita, o impacto de Jhon ao solo é fatal,

Nunca se soube de verdade quem era Bob, não era certo julgar que aquela criança malvada não passava de uma criação da mente de Jhon, tudo que se sabe sobre Bob é de um papel rasgado com tinta de caneta falha escrito por Jhon horas antes de morrer sobre o garoto que conheceu quando criança, há também algumas fotos que seus pais esconderam quando ainda vivos, de quando aparecia ao lado de Jhon uma figura de uma criança distorcida a qual não conseguiam entender já que trocavam de máquina de fotografar e sempre acontecia a mesma coisa.
Neste caso Bob poderia ser real, e ser um desencarnado vingativo ou até mesmo uma espécie de demônio. Mas para todos do prédio, e até mesmo para a policia, a morte de Jhon foi suicídio.

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