sábado, 25 de julho de 2015

Jackie o Sonambulo

Meu nome é Jackie, e minhas noites se tornaram um pesadelo, nem sempre foi assim, nem mesmo quando eu era criança costumava ter medos noturnos ou pesadelos, certas coisas só começaram a acontecer comigo quando eu, meus pais e minha irmã nos mudamos para esse casarão.

São exatamente 10 anos de muitos tormentos na minha cabeça,eu passei a andar sozinho pela casa dormindo, atravessava o corredor dos nossos quartos e até conseguia descer a escadaria rumo a sala, cheguei a uma vez acordar assustado sentado numa cadeira no nosso quintal sob uma chuva, mas não era só isso...

Eu sempre sentia que alguém estava me acompanhando nessas noites de sonambulismo, mas não tinha certeza, apenas sentia uma presença caminhando comigo desacordado pela casa escura.

Minha mãe já me levou no médico diversas vezes, em diversos médicos diferentes para tentar me ajudar, já tomei diversos tipos de remédios, desde pequenos comprimidos até as mais estranhas capsulas, eu me sentia um louco, pensava que a qualquer momento minha mãe iria me internar.

Nada resolveu, cheguei ao ponto de ser amarrado na cama uma vez, mas dizem que nessa noite eu tive muitos pesadelos e acordei toda a casa gritando, os pesadelos assim como meu sonambulismo era frequente.

O que via em meus pesadelos era a minha casa, mas era sempre diferente, é uma casa antiga de assoalho no chão o qual fazia muito barulho durante a noite, e claro só eu os ouvia, mas como eu dizia, nos meus pesadelos eu andava pela minha casa vazia, porém não era eu e nem a minha família que habitava nela.

Eu via uma outra família, havia duas crianças um homem e uma mulher, parecia que nem era mais pesadelo de tão real, cada noite que eu me levantava da cama dormindo e andava pela casa, além de sentir uma presença que pesava a minha respiração, eu começava a ter os pesadelos ali mesmo, sonambulo.

O corredor, as portas, a escadaria, tudo eu via como se fosse em outra época,comecei a entrar em depressão, quando começava a escurecer e eu sabia que tinha que dormir eu já surtava.

Dormir se tornou meu maior desafio, até um padre já veio em casa fazer um descarrego, confesso que consegui dormir por uma semana em paz, mas logo os pesadelos começou tudo de novo e com eles o meu sonambulismo, minha mãe havia até escondido as facas da casa.

Em uma dessas ''caminhadas'' na madrugada pela casa, comecei a enxergar coisas com mais nitidez, ouvia sons, vinha da sala, desci a escada lentamente pé por pé em silêncio, a casa toda escura parei na escadaria quando de baixo vi dois faróis em meio ao escuro, pareciam um par de olhos olhando para mim, comecei a ver em seguida duas meninas brincando na sala, e uma mulher tricotando na cadeira de balanço ( a qual ainda temos), mas elas não me viam.

As duas meninas sorriam alegremente, até que alguém abre a porta como se tivesse querendo se esconder as pressas, era um homem, talvez o pai das crianças e marido da mulher que começou a lutar com o homem.

Não entendia o que estava acontecendo, as imagens estavam embaçadas, espera, o homem está armado, não, não faça isso, são apenas crianças, não faça isso! Gritava a mulher quando foi acertada com vários tiros.

As crianças escondidas em baixo da mesa de centro da sala não foram poupadas, tentei fechar os olhos, tentei impedir que ele fizesse aquilo, mas eu não conseguia me mexer, alguma força me segurava que tudo que conseguia era ver tudo aquilo quieto, por fim o homem se mata atirando em sua própria cabeça.

A sala da minha casa estava banhada a sangue, havia sangue nas paredes, no telhado, no chão, e todos mortos, de repente a imagem daquilo se apagara lentamente e tudo que vejo e a sala escura novamente, não conseguia mais compreender se era real ou não.

eu estava em pé na metade da escadaria quando vejo duas meninas com vestidos brancos logo em baixo, elas me chamavam, seguravam suas bonecas, a cadeira de balanço começou a balançar rapidamente sozinha, tentei subir a escada e correr para o quarto dos meus pais, mas não conseguia ter força para tal, as meninas continuava me chamando.

Desci a escada e segui elas que me conduziram até o porão, no porão escuro elas me mostravam uma porta que nunca havia visto antes, a porta se abre sozinha, havia um pequeno clarão formando um leque de luz entre a porta meia aberta e o porão escuro.

As meninas entraram, e eu fiquei ali parado, esperando que algo acontecesse, mas fui devagar até a porta, a abri lentamente, fechei os olhos forçado, quando abri, havia um antigo abajur ligado, no chão havia muita ossada humana, as duas meninas me olhavam fixamente enquanto seus olhos sangravam.

Quando pensei em gritar senti meus pés descalços no chão, e tudo ali ficou escuro, assim como a casa, naquela madrugada, eu estava finalmente acordado, não via mais nada além de reflexos de luz da rua que atravessam os vidros das janelas.

Corri sobre o mesmo trajeto, eu estava no porão, subi as escadas e imediatamente acendi a luz do quarto dos meus pais, minha respiração ofegante, minha mãe preocupada tenta me consolar dizendo que foi mais um pesadelo.

Não podia ser aquilo somente um pesadelo, era muito real, minha irmã acordou e convenci a todos de ir comigo até a porta que eu havia aberto dentro do porão.

Podiam achar que eu estava louco de vez, mas preferi arriscar, acendi todas as luzes da casa, descemos todos até o porão, e realmente naquela porta que nunca prestamos atenção estava aberta, acendi uma lanterna, estava finalmente disposto a provar que havia ali ossos humanos, ou finalmente poder ser internado.

Engoli um pouco de saliva e fui até a porta, bom pelo menos isso era uma prova de que não foi totalmente pesadelo, apontei a luz forte da lanterna até aquele pequeno comodo antes desconhecido, chamei meus pais e minha irmã, a reação de todos foi chocante, havia mesmo uma ossada dentro do nosso porão.

Já estava quase amanhecendo, chamamos a policia que nos contou sobre um assassinato que ocorreu na nossa casa há quase 60 anos atrás, foi a primeira família a morar lá, o homem começou a ter distúrbios,e esquizofrenia, num ato da falta de seu estado normal, matou sua família e em seguida suicidou.

Seu irmão que chegou no local pouco tempo depois, escondeu os corpos até a porta isolada no porão, sabia que ali ninguém nunca perceberia, sua intensão era evitar que o nome de sua família se misturasse com escândalos e crimes.

Esse mesmo passou a vida mentindo para a polícia que seu irmão e sua família havia se mudado escondido sem deixar nenhuma pista do paradeiro, porém no leito da morte confessou o assassinato do irmão mas em seus últimos suspiros não conseguiu dizer aonde escondeu os corpos.

O policial meio desconfiado nos fez diversas perguntas, principalmente a mim, que cai na real: Eu vi os espíritos das crianças que moravam aqui, elas só queriam a minha ajuda para serem livres daquela casa após muitos anos.

Ps: Mesmo com o assunto resolvido nos mudamos de casa, meu sonambulismo acabou e os pesadelos também, porém pros meus pais e minha irmã, morar numa casa antiga aonde ocorreu mortes trágicas não era nada confortável.


FIM.














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