quarta-feira, 5 de agosto de 2015

Sozinha em Casa

Eu nunca esqueci quando vivi com meus pais uma experiência tão fora do normal, na época eu era apenas uma garota com meus 15 anos, mal conhecia a vida, mas comecei a conhecer a morte.

Eu com aquela idade queria ser dona do meu próprio nariz, e queria provar pros meus pais que eu era capaz, certa vez eles iriam viajar, meio que em uma segunda lua de mel, eles queriam me deixar na casa da minha avó, mas disse que eu podia muito bem passar um fim de semana em nossa própria casa sozinha com o nosso cachorro.

Minha proposta foi aprovada com sucesso, Eba! eu tenho a casa toda só pra mim, poderei fazer pipi com a porta do banheiro aberta, e comer besteira a madrugada toda assistindo tv. 

Eles partiram numa sexta-feira a noite, fechei e tranquei as portas e as janelas, peguei um pote de sorvete de chocolate e sentei no sofá da sala com o meu cachorro dormindo ao meu lado e liguei a tv.

Me senti uma pessoa adulta e independente, que emoção que responsabilidade, naquela casa toda era eu que estava mandando naquele momento!

Já era tarde da noite quando comecei a cochilar com a tv ligada, acordei assustada, e então fui pra cama,apaguei a luz e corri pra cama rezando baixinho com os olhos fechados, meu cachorro dormia sempre em baixo da minha cama.Mas naquela noite resolvi cobrir com a coberta até a cabeça.

Confesso que comecei a sentir muito medo, mas consegui dormir, quando acordo com alguns barulhos de pingos na banheira da suíte do quarto dos meus pais que era logo colado com o meu.

Fiquei meio assustada para levantar no escuro e ter que acender a luz,botei a mão pra baixo da minha cama e senti a pelagem do meu cachorro, senti mais segura, mas os pingos não paravam de cair na água da banheira, poxa minha mãe tinha que esquecer a água na banheira logo hoje?

Quanto mais tentava dormir, mais aqueles pingos me incomodavam, passei a mão por baixo de novo da minha cama e senti novamente a pelagem do meu cachorro, então criei coragem para levantar e ir até o banheiro fechar a torneira da banheira.

Meu cachorro nem sinal de sair de baixo da minha cama, entendi aquilo como apenas uma preguiça dele, acendi a luz do quarto, do corredor até chegar no quarto dos meus pais, abri a porta do quarto deles, acendi a luz e fui até o banheiro.

O mais estranho era uma estátua branca de gesso em forma de um ser parecido com o demônio em cima de um pequeno armário ao lado da cama dos meus pais, nem sabia que eles tinham aquilo, assustei na hora, mas se era objeto dos meus pais não tinha porque ter medo, era apenas um objeto que não podia criar vida e me matar, então tudo ficou bem...

Até eu acender a luz do banheiro, os pingos que achei ser de água não era exatamente água, era o meu cachorro pendurado no box perto da banheira, com a cabeça arrancada e boiando na água da banheira e o sangue pingando de sua garganta na água, entrei em pânico, porém não conseguia gritar.

Como podia ser? Corri pra sala fui acendendo todas as luzes da casa, peguei o telefone as pressas e liguei pro hotel que meus pais ficariam, sorte que eles deixaram o número e sorte que acabaram de chegar lá.

Consegui falar com meu pai e expliquei toda a situação conforme eu havia entendido.

- Pai, eu tenho duas péssimas noticias para lhe dar, não sabia que queria me fazer uma surpresa comprando outro cachorro que está dormindo em baixo da minha cama agora, fico feliz, mas o nosso antigo cachorro acho que tentou fugir pela janela do banheiro mas se acidentou e morreu pendurado e sem cabeça em cima do box, ahh pai! E tem mais, sabe aquela estátua de gesso do capeta que você e mamãe tem no quarto? Pois é sai correndo do banheiro de vocês que sem querer tropecei nela e a deixei cair, você me perdoa pelas minha trapalhadas? Vocês tinham razão, eu só tenho 15 anos...

- Filha, saí correndo dai agora e vai pra casa dos vizinhos, pois eu e nem a sua mãe infelizmente não fizemos nenhuma surpresa muito menos compramos outro cachorro, e sabe essa estátua que você disse ter deixado cair? Pois é nunca tivemos nada satânico em casa, portanto filha devagar continue na linha, pegue a chave destranque a porta da sala e corraaaa...

Já era manhã de sábado, meus pais cancelaram a viagem e voltaram as pressas, eu estava acordando no quarto de hospedes da minha vizinha quando minha mãe foi me buscar, entramos juntos na nossa casa, meu pai carregava um facão que guardava no porta malas do carro, no espelho do banheiro do quarto aonde nosso cachorro estava morto havia uma mensagem escrita a sangue que dizia "Santan também tem pelos".

Até hoje após muitos anos desse ocorrido jamais me atrevi botar minhas mãos embaixo da cama enquanto durmo, o caso nunca foi esclarecido.







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