terça-feira, 19 de janeiro de 2016

Sala 22 - (Última Parte)

Alice estava preocupada comigo após o diretor sair do banheiro, próximo ao local onde falávamos assuntos sobre a chacina e mistérios que envolvia o mesmo.

Certa noite uma menina voltou pra nossa sala de aula chorando, ninguém entendeu, mas ela pegou seus materiais aos prantos dizendo que não voltava mais, ela disse que quando foi no banheiro todas as lâmpadas queimaram e todas as portas dos sanitários bateram sozinhas.

A escola ficava cada vez mais vazia a noite, propus a Alice por em prática o plano de descobrir o que tem por trás da porta trancada da sala 22, Alice insistia para que eu desistisse da ideia, mas foi em vão.

Alice e eu fugimos da aula do professor Nuno e corremos pra diretoria eu queria conversar com o diretor a respeito dos estranhos fenômenos na escola a noite, porém minha ida até lá rendeu bem mais do que isso.

Não havia ninguém na sala da diretoria, a porta estava aberta na mesa havia um casaco preto largado, fui até o bolso do casaco enquanto Alice se espantava pedindo pra não mexer em nada, com medo de sermos pegos, lá encontro uma chave com um durex branco anotado o numeral '22'.

- Bingo! Alice essa é a chave da sala 22, e é hoje mesmo que eu descubro o que esse diretor tanto esconde!

Alice e eu decidimos pegar nossos materiais na sala de aula enquanto houvesse troca de professores, e assim fizemos e nos escondemos no banheiro masculino, o plano era esperar todos irem embora e com nossas lanternas no celular abrir a porta da sala 22 sem que pudéssemos correr riscos de sermos pegos, após isso o plano de sair de lá era pular o muro.

Tudo parecia dar certo, até que escutamos passos entrando no banheiro, Alice e eu fomos pra última cabine e fechei bem a porta, dava pra ver pela parede de separação, o sanitário ao lado aquele par de sapatos negros novamente ali em pé, era o diretor bem ao nosso lado, fiz um gesto para Alice que diminuísse sua respiração e subisse no vaso para que o diretor não percebesse a nossa presença.

Logo aqueles passos fortes saem do banheiro e some ao lado de fora, passadas poucas horas as luzes da escola são todas apagadas, estávamos nós dois num silêncio total e também em total escuridão.

Naquele silêncio ouvimos mais gritos agudos vindo das salas e também do ginásio, Alice estava bastante assustada e arrependida de ter ficado no colégio comigo, porém consegui acalma-la.

Pegamos nossas lanternas do celular e fomos subindo as escadas, cruzando o corredor e por fim estávamos na porta da sala 22, respiramos fundo, mas não em tom de alívio mas sim num tom do tipo "Pronto,estamos preparados para ver o que tem ai dentro".

Quando enfim destranquei a porta, uma única lâmpada da sala em frente se acende sozinha, tentamos não ligar muito, poderia ser uma dessas lâmpadas que vivem piscando, ligando e acendendo...

Ao girar a maçaneta da misteriosa sala 22 logo entrei em seguida Alice se encoraja de fazer o mesmo, havia ali um cheiro de enxofre com formol, logo acendi as lâmpadas, o chão ali realmente estava repleto de manchas de sangue já escurecido pelo tempo, havia tais manchas também nas paredes.

O lugar estava repleto de velas de todas as cores também, havia velas negras, brancas, vermelhas...
Inclusive algumas acesas quase terminando de derreter, e por fim vejo aquele esqueleto, uma caveira bastante alta com seus ossos amarelados, seu crânio era gigante.

- É ela, essa é a caveira que foi usada nas aulas de Ciências aqui na escola, a mando do diretor...

- Alice...essa é a caveira do Nick! -Completei.

A caveira estava pendurada por uma espécie de barra de ferro parafusada na parede próximo ao quadro negro que estava escrito com giz branco a seguinte mensagem: "Aqui selamos as nossas mortes, aqui perdemos as nossas posses e aqui morremos fortes"

Havia também na sala 22, uma espécie de varal feito com barbante, e nele diversas fotos das vítimas mortas na chacina, havia uma foto pendurada com arame onde mostrava diversos corpos em sacos plásticos enfileirados no chão do ginásio da escola, outras fotos de mais mortos na chacina e por fim algumas fotos de uma criança, magra e cabeçuda, depois a criança adolescente e por fim aparecia Nick na última fase, quando matou e morreu.

Um imenso congelador ocupava por fim o fundo da sala, nos aproximamos e ficamos horrorizados quando vimos o corpo do ex-diretor lá congelado, aquele que espalhou informações detalhadas a respeito do diretor usar a caveira do autor da chacina na escola ha 25 anos atrás.

- Ai meu Deus, foi ele, foi o diretor quem matou ele, vamos embora, vamos embora daqui agora, vamos pular o muro dessa escola pra nunca mais voltar - Dizia Alice desesperada.

Eu por fim concordei com o novo plano de dar o fora dali logo, mas quando viramos pra sair, uma imensa treva cobre a sala, e quando tentamos correr as luzes se acendem, na porta estava o diretor, como sempre todo de preto.

Naquele momento os gritos agudos voltaram com tudo novamente, vinha dos corredores do pavilhão ao lado, do refeitório e do ginásio de esportes, as luzes da escola inteira começaram a acender e apagar sozinhas constantemente.

- Eu sempre venho aqui visitar essa sala nesse horário todos os dias, quando todos vão embora, e hoje quando senti a falta da chave previ de que teria visita, aliás, visitas! - disse o diretor seriamente e friamente.

- Olha, diretor, nós, nós... -Dizia Alice tentando buscar argumentos.

O diretor começou a sorrir, pela primeira vez vi aquele homem rígido de cara feia sempre, soltar um sorriso, mas aquilo não me parecia nada legal.

O diretor nos revelou que Nick era seu filho, mas ninguém nunca soube, cansado de ver o filho sofrer chacotas dos colegas e humilhações no banheiro do tipo molhar ele, ou desenharem um boneco com um cabeção nas paredes, ele decidiu então entregar uma arma de fogo para o garoto.

- Tome filho, leve essa arma e mate todos os seus colegas que te desenharam na parede, ou aqueles que apenas ri mesmo de você - relembrou o diretor pra nós ao que dissera ao Nick no dia da chacina.

- Você é um doente, você matou adolescentes de uma sala inteira, você matou seu próprio filho, você matou o ex-diretor - Gritava Alice

- E agora vou matar vocês dois - Disse o diretor tirando uma arma de seu paletó apontando então a arma para o nosso rumo.


Enquanto estávamos Alice e eu sob a mira da arma do diretor, ouvimos mais gritos e choros enquanto ele dizia que se o ex-diretor não tivesse entrado na sala 22 assim como nós, ele não teria o matado, revelou também que foi ele mesmo quem desenterrou a caveira de Nick no cemitério a noite, e que fez da escola o altar para o filho justo na sala em que a tragédia aconteceu anos atrás.

- Papai venha, venha comigo - uma voz sem corpo dizia.

O diretor emocionado perguntava se era Nick que estava ali, enquanto ele apontava a arma para qualquer lugar.De repente a voz some e novamente gritos agudos são escutados de longe dentre a escola.

- Vocês estão ouvindo? - dizia o diretor rindo em tom maléfico e continuava - Ouça os gritos, ha 25 anos esse colégio a noite é dominado pelos gritos, são eles, os mortos na chacina, e tem mais, eles estão por toda parte, assombram vocês nos banheiros, no ginásio e nos corredores, queimam as lâmpadas, batem as portas, são exatamente 25 anos esses malditos assombrando alunos e professores a noite...

Enquanto os gritos não calavam o diretor com seus olhos arregalados em nós aponta novamente a arma, jurava que seria o meu fim, e o pior sentimento de culpa por ter colocado Alice nessa.

Os gritos agudos vindo de todos os lados pareciam incomodar o diretor que ficava cada vez com uma expressão mais doentia, até que a imagem daquele homem de negro apontando uma arma para o meu rumo é interrompida por uma escuridão total.

Os gritos se calaram naquela hora, e um silêncio macabro dominava todo o colégio, Alice que segurava a minha mão logo a soltou quando senti seu desespero de aproveitar o escuro para tentar correr dali, senti Alice correndo e se afastando quando o silêncio é interrompido por um tiro.

Eu não senti tiro algum me atingindo, gritei por Alice, tentava procurar rastejando pelo chão o que aconteceu com ela, quando de repente as lâmpadas se acendem, vi Alice agachada no chão protegendo seu corpo com seus braços, ela estava assustada, mas estava bem, olhei pro quadro negro onde a mensagem escrita a giz branco "Aqui selamos as nossas mortes, aqui perdemos as nossas posses e aqui morremos fortes"
Estava com o branco do giz todo manchado de sangue.

O diretor estava caído ao chão, morto com um tiro na boca, e novamente a sala 22 é banhada a muito sangue, o sangue do diretor derramava feito cascata empoçando todo o chão.

Logo chamamos a polícia e explicamos o ocorrido, a perícia fez seu trabalho, merendeiras, professores, e alguns alunos e ex-alunos deram depoimentos a respeito do comportamento do diretor, Alice e eu não tivemos problemas com a justiça, "apenas" problemas psicológicos mesmo.

Mudamos para um outro colégio, até então a escola da macabra sala 22 passou a não realizar mais as atividades a noite, devido aos gritos e os fenômenos que continuavam a acontecer, a sala 22 permanece isolada, mas ouvi dizer que o novo diretor pretende demolir aquela parte da escola que foi batizada como a parte amaldiçoada.

FIM.

TRILHA SONORA:















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