segunda-feira, 15 de fevereiro de 2016

A APARIÇÃO DA MULA SEM CABEÇA

Me lembro quando eu era mais jovem e morava na fazenda, Eu, meu pai e minha mãe voltávamos da procissão da igreja, era Sexta-Feira da paixão, e era a noite, a igreja por vez ficava na cidade que era pequena, mas dava pra voltar a pé até a fazenda.

Pelo caminho de terra por entre plantações diversas e mato permanecíamos caminhando em silêncio até que o mesmo é interrompido por um relincho seguido por gemidos nada humanos.

Meu pai parou de caminhar na hora segurando o braço de minha mãe para fazer o mesmo que em seguida também parei, eu fiquei bastante assustado, pois nunca tinha ouvido uma espécie de grito daquela forma, não parecia ser desse mundo.

Eu não conseguia entender o porque de tanto espanto de meus pais, mas novamente o relincho seguido por gemido logo se escutava, porém com mais intensidade, parecia estar mais perto de nós.

A estrada era escura e naquela noite meus pais usaram lanternas para clarear o caminho, pois seguia uma promessa de não dirigir na data cristã.

De repente uma luz estranha aparece por entre as plantações sobre a beira da estrada, meu pai sussurra por silêncio, a luz estava parada por entre o milharal, algumas plantas secas chegaram a pegar fogo naquele momento.

A luz aproximava de nós e em seu clarão de fogo dava pra ver um corpo de uma mula, seus pelos eram negros feito carvão, no lugar de sua cabeça havia fogo, sua brasa era avermelhada feito sangue, e ela ficou lá parada por alguns minutos de frente para nossa direção, meus pais haviam desligado suas lanternas.

A mula sem cabeça deu novamente mais um relincho alto e apavorante e por fim sumindo entre o mato, meus pais e eu seguimos nosso caminho em passos rápidos, até chegar a fazenda.

Chegando em casa, todos foram dormir, mas eu fui ler um livro até pegar no sono, quando me assusto com o barulho forte da porteira lá fora que estava trancada batendo, fui até a janela da sala pra ver melhor, mas nada havia lá.

Ao voltar pro meu quarto decido dormir, e já apago a luz, quando olho pela janela que era de vidro, vejo uma mulher toda vestida de branco parada lá fora e olhando pra dentro. Meu pai dizia que a mula sem cabeça transformava também naquela mulher para assombrar as pessoas e os animais.

Naquela noite dormi no quarto dos meus pais, mas depois de tal experiência ainda morando na fazenda, até escutava porteiras batendo sozinhas e passos de cavalos rondando a casa a noite, mas sempre nas quaresmas, porém nunca mais vi a mula sem cabeça, nem em seu formato animal nem em forma de mulher.







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